Crônica: “Quero envelhecer contigo!”

O casamento não anula nossa responsabilidade pessoal de continuar nossa caminhada em busca da perfeição humana inteiramente realizável

 

“O amor”, escreve Cornac Burke, “só cresce quando o egoísmo diminui. Se o egoísmo permanece, o amor já não pode crescer. E se o egoísmo cresce, o amor irá decaindo e correrá o risco de morrer. É que é raro o amor morrer de morte natural. Se um amor morre, o normal é que tenha sido assassinado, e o culpado é o amor-próprio.”

Tantos erros ou decisões equivocadas poderiam ter sido evitadas se tão somente fizéssemos um exame de consciência com valentia para atacar, sem regateios, o amor-próprio que nos corrompe lentamente.

Apesar de essa belíssima instituição chamada casamento – e, por consequência a família, fruto do amor –, ser muitas vezes responsabilizada pelos mais diversos problemas, isso não passa de uma desculpa, ou ainda, uma justificativa doce e confortável para não assumirmos que deixamos o amor-próprio prevalecer, a ponto de nos cegarmos na vida conjugal e social.

Os sinais de amor-próprio são observados quando não deixamos nossas inclinações pessoais de lado para tornar a vida de quem está conosco mais alegre e feliz. Quando assassinamos o próprio Deus – que é Amor – em nossos corações, muitas vezes dizendo: eu acredito em Deus e até em Nossa Senhora, mas porque ir a sua Igreja? Entre tantas outras situações pequenas do nosso viver cotidiano.

Há problemas que se manifestam na família, mas que muitas vezes não são problemas nem do casamento (matrimônio) nem da família – são problemas das pessoas que constituíram essa família, como costuma dizer um sábio sacerdote.

O casamento não anula nossa responsabilidade pessoal de continuar nossa caminhada em busca da perfeição humana inteiramente realizável. Dá trabalho, obviamente. Exige queimar nossas impurezas em alto forno. Porém, a nova liga é fortíssima.

O casamento é uma vocação divina e, como tal, exige a nossa correspondência.

Minha esposa tem uma frase lapidar, simples, mas exigente: “quero envelhecer contigo!”. É um belíssimo propósito.

É sempre tempo para recomeçar: não deixemos o desordenado amor-próprio nos dizer o contrário!

Não devemos ceder ao pessimismo!

Por Alecsandro Araujo de Souza

 


 

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