Por iniciativa da Conferência Nacional do Bispos do Brasil – CNBB, em 1981, o mês de agosto foi dedicado a rezarmos com mais intensidade a todas as vocações cristãs. O objetivo é despertar nos católicos a consciência vocacional e as responsabilidades que assumimos, como Filhos de Deus, perante a Santa Madre Igreja.
Somos chamados por Deus, desde a eternidade, a sermos santos. No final do Sermão da Montanha, não a título de conselho, mas como mandamento, o próprio Cristo nos dirige as seguintes palavras: “Sede, pois perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito” (Cf. Mateus 5, 48).
Os católicos não podem incorrer em dúvida quanto ao seu chamado, ou seja, a sua vocação: todos somos chamados por Deus à santidade! Eis o dever de qualquer cristão, do mais douto ao mais simples: sermos santos! Cristo, ao proferir o Sermão da Montanha, dirigiu-se às massas e não a uma elite de privilegiados, pois a santidade não nos é facultativa; ela é prescrita a todos, sem exceções!
O Sermão da Montanha, como escreveu o teólogo francês Jean Daujat, “nada tem a ver com uma vida medíocre ou com uma vida moral simplesmente honesta e virtuosa, não é um programa de honestidade e virtude, é um programa de santidade”. Porém, nem todos são chamados à santidade pelo mesmo caminho, formas ou condições de vida. E é nesse sentido que a Igreja Católica no Brasil dedica o mês de agosto a rezarmos pelas vocações cristãs.
No primeiro domingo de agosto, dedicamos ao ministério ordenado (bispos, padres e diáconos). Essa comemoração se deve ao fato de celebrarmos no dia 04 o Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianney, patrono dos padres; e o dia de São Lourenço no dia 10, diácono e mártir, patrono dos diáconos. Uma excelente oportunidade de rezarmos pelos sacerdotes de nossa Igreja, de agradecermos a sua entrega total, de pedirmos por sua santificação e, também, pelas famílias para que tenhamos o desprendimento necessário se, Deus, assim o quiser, de chamar um dos nossos filhos ao sacerdócio.
No segundo domingo, celebramos o Dia dos Pais, logo é dedicado à vocação matrimonial, a qual é dedicada a Semana Nacional da Família. É no lar, no ambiente familiar, na assim chamada Igreja Doméstica, que o pai, em conjunto com a sua esposa, tem o ambiente propício para levar os filhos a Deus por meio da oração, estudo e vivência do Evangelho a formar a sua convicção na fé católica. O matrimônio é uma vocação, por isso, convém instruirmos diligentemente as futuras gerações.
No terceiro domingo, recordamos a vocação à vida consagrada: religiosos, religiosas, consagradas e consagrados nos vários institutos e comunidades de vida apostólica e também nas novas comunidades, motivados pela solenidade da Assunção de Maria ao Céu, modelo de todos aqueles que dizem sim ao chamado de Deus para uma entrega total. Devemos ser gratos por suas orações e pela entrega de nossos religiosos que por meio de uma vida casta, de pobreza e obediência consagraram suas vidas a servir a Igreja e as almas.
O quarto domingo de agosto é dedicado ao Catequista, daí a comemoração do dia da vocação do cristão leigo na Igreja, tanto pela sua presença no seio da Igreja quanto pelo seu testemunho nos vários ambientes de trabalho, da vida social e da família. Não se ama aquilo que não se conhece. A catequese é um dever de todos os cristãos e, principalmente, daqueles que de graça receberam capacidades intelectuais que permitem ensinar ao próximo os caminhos de Deus.
A cada domingo do mês agosto, temos, portanto, uma ótima oportunidade de rezarmos de forma especial e mais intensamente pelas vocações cristãs – nossa e de toda Igreja –, pois “a messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos” (Cf. Mt 9,37). Cristo se compadeceu ao ver as multidões fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor e pediu: “rogai, pois, ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe” (Cf. Mt 9,38). E, esse operário, não é apenas um sacerdote ou religioso – ainda que façam verdadeiros milagres – esse operário somos todos nós, batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Filhos de Deus e da Igreja!
Que cada cristão seja capaz de despertar a beleza e a responsabilidade da vocação cristã na sociedade. Ainda há, nos dias atuais, desgraçadamente, milhões de almas fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor ao nosso redor. Não podemos nos furtar de nossa responsabilidade, independente do caminho vocacional, de sermos bons e fieis operários da vinha do Senhor.
A Igreja necessita da entrega com alegria e livre de todos os seus filhos que, por Deus, são chamados a ser luz para iluminar as consciências abatidas e sal para dar sabor e conservar os cristãos firmes na vocação a qual foram chamados nas mais diversas circunstâncias do mundo.
Que Nossa Senhora, Mãe de Deus e da Igreja, nos auxilie neste mês de agosto a refletir sobre os caminhos vocacionais, a fim de que possamos descobrir com maior convicção o nosso chamado e assim cumprir a vontade de Deus: a nossa santificação!
Por Alecsandro Araujo de Souza
Referências Bibliográficas:
- Daujat, Jean. Viver o Cristianismo. Coleção Éfeso, 1954.Editorial Aster. Lisboa.
- Evangelho de São Mateus capítulos 5-48; 9 – 37 a 38.


