O Testemunho Evangeliza
O secularismo conduziu nosso mundo ao relativismo que é a “Hiroshima” da fé, preocupação constante de todos os últimos papas. “Muitos países de antiga tradição cristã se tornaram refratários à mensagem do Evangelho” como constatou Bento XVI ao criar o Pontifício Conselho para Promoção da Nova Evangelização.
Com o aparecimento deste novo cenário a Igreja viu a necessidade de suscitar nos leigos o carisma da evangelização, incorporando-os no trabalho ativo de sua missão batismal. “Não se trata de uma substituição, mas de uma nova parcela do povo de Deus que se acrescenta às outras, permanecendo sempre os bispos, encabeçados pelo Papa, os guias oficiais e os responsáveis últimos pela tarefa missionária da Igreja”. (R. Cantalamessa)
É de Paulo VI a afirmação de que “para o mundo cada vez mais secularizado, não há nada mais necessário que o testemunho da renovação espiritual que vemos o Espírito Santo suscitar”. S. João Paulo II valorizou o trabalho dos leigos na Christi Fidelis Laici. As premissas dessa chamada universal à missão já estão no Evangelho de Lucas 10,1: “designou outros setenta e dois, e os enviou dois a dois, à sua frente a toda cidade e lugar onde Ele próprio devia ir.” Comentando o texto de Lucas, S. Gregório Magno escreve que os envia dois a dois “porque menos que entre dois não pode haver amor” e é pelo amor que seremos reconhecidos como discípulos de Cristo. Estes 72 hoje são todos aqueles/as que estão verdadeiramente dispostos a se comprometerem com o anúncio do reino.
Na Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, um jovem perguntou ao Papa Francisco o que deveria dizer a um amigo ateu. “É uma boa pergunta! Todos conhecemos pessoas que estão afastadas da Igreja: o que devemos dizer a elas?” Respondeu o Papa: “A última coisa que se deve fazer é dizer algo, pois evangelizar é primeiramente dar testemunho de Cristo com a própria vida”.
O novo evangelizador, só o será verdadeira e proficuamente quando desejar ser vivificado pelo Espírito de Deus, pois “quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no reino de Deus (Jo 3,5). Necessário vos é nascer de novo”, diz-nos o Senhor. (Jo 3,7b). Este renascimento, obra do Espírito Santo, nos leva a uma profunda experiência pessoal com Cristo vivo e ressuscitado. Por esta experiência passaram os apóstolos que, de fracos e medrosos, tornaram-se intrépidos e corajosos anunciadores da Boa Nova. Nossa missão é sermos testemunhas da esperança e proclamar ao mundo, de uma maneira nova, que Cristo está vivo e reina.
Para sermos evangelizadores é preciso amar aqueles a quem evangelizamos e estar dispostos a dar a própria vida por eles, mesmo antes de conhecê-los (cf 1Tes 2,8). Evangelizar é exigente: requer esforço, renúncia, vida de oração e estudo da Palavra. As pessoas poderão salvar-se por outras vias graças à misericórdia de Deus caso não lhes anunciemos o evangelho, mas e nós, seremos salvos em caso de omissão?
“Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe” (1 Cor 9,16).
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