A existência dos Anjos uma verdade de fé

“Da mesma maneira que vemos como os anjos rodeavam o corpo do Senhor no sepulcro, devemos crer que estão fazendo a corte a Jesus na consagração”.

São Beda (672/735)

 

A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição (cf. CIC 328). 

Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. “Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida”. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus. (Cf. CIC 336). 

“Tem confiança com o teu Anjo da Guarda. Trata-o como amigo íntimo – porque de fato o é –, e ele saberá prestar-te mil e um serviços nos assuntos correntes de cada dia”, dizia a este respeito São Josemaria Escrivá. 

Santo Agostinho diz a respeito deles: anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (= mensageiro)”. Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo fato de contemplarem “continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 10), eles são “os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra” (Sl 103, 20), explica o Catecismo da Igreja Católica. 

A profissão de fé do quarto Concílio de Latrão afirma que Deus, “desde o princípio do tempo, criou do nada ao mesmo tempo uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre. Depois criou a criatura humana, que participa das duas primeiras, formada, como é, de espírito e corpo”. (Cf.327).

“Também o demônio é uma criatura de Deus”. Assim expressa o Padre Gabriele Amorth, conhecido exorcista da diocese de Roma, no livro Um exorcista conta-nos. Se a frase do Padre Amorth, digamos, assusta um pouco, o que dizer, então, da frase de São João Paulo II, quem não crê no demónio, não crê no Evangelho”, citada pelo sacerdote português Gonçalo Portocarrero de Almada, no texto com o título O Diabo existe…graças a Deus!.

O Símbolo dos Apóstolos professa que Deus é “Criador do céu e da terra”. E o Símbolo Niceno-Constantinopolitano explicita: “… de todas as coisas, visíveis e invisíveis”. O fato é que desgraçadamente, na sociedade secularizada e, até mesmo dentro da Igreja Católica(!), atualmente se duvide da existência dos anjos e demônios e, ainda se ponha em causa a sua realidade e ação.

Como se não bastasse as Sagradas Escrituras e a Tradição da Igreja, o calendário litúrgico da Igreja Católica celebra duas festas angélicas, no dia 29 de setembro, a festa dos três arcanjos – S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael – e, no dia 2 de outubro, os anjos da guarda

Os santos foram muito devotos dos anjos.  São Josemaria Escrivá, por exemplo, deixava que o seu Anjo da Guarda contasse o número de orações e mortificações que ele ia fazendo, tinha-o presente nos trabalhos apostólicos que realizava, chamava-o “Relojoeirinho” (porque era muito pontual em despertar-lhe e até consertou-lhe um relógio numa ocasião), dedicava as terças-feiras a tratá-lo mais intensamente, rezava ao anjo da guarda de alguém com quem tinha que conversar ou escrever-lhe uma carta; viu o Opus Dei no dia 2 de outubro de 1928, Festa dos Anjos da Guarda; confiou os diversos trabalhos dessa nova fundação a cada um dos arcanjos. Caminho, esse livro clássico-moderno de espiritualidade, dedica nove pontos seguidos à devoção aos anjos. (Caminho. Pontos 562 a 570)

Os anjos estão presentes na liturgia da Igreja quando a Santa Missa é celebrada. Os textos litúrgicos fazem referências a esses celestes adoradores de Deus. O “Glória a Deus nas alturas” foi uma oração entoada por eles (cfr Lc 2,13-14). As orações eucarísticas, na sua primeira parte, os prefácios, terminam “com os anjos e os arcanjos e com todos os coros celestiais” cantando o hino da glória de Deus que é o “Santo, Santo, Santo”, hino dos serafins (cfr. Is 6). Na oração eucarística I ou Cânon Romano, a oferenda é levada ao Deus todo-poderoso “per manus sancti angeli”, ou seja, pelas mãos do santo anjo. 

“Atualmente, quais são as maiores necessidades da Igreja? Não deveis considerar a nossa resposta simplista, ou até supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa daquele mal, a que chamamos demônio”, interrogava São Paulo VI, numa Audiência-Geral em 15 de novembro de 1972, aos católicos de sua época. 

Os anos se passaram e, o Papa Francisco inaugurou, em 05 de julho de 2013, ou seja, 45 anos depois da audiência proferida pelo Papa Paulo VI, uma estátua de São Miguel Arcanjo, protetor da Igreja e padroeiro do Estado Cidade do Vaticano e, destacou que a escultura recorda que “o mal é vencido, o acusador é desmascarado e a sua cabeça esmagada, porque a salvação foi realizada de uma vez por todas no sangue de Cristo. Embora o diabo sempre tente arranhar o rosto do Arcanjo e o rosto do homem, Deus é mais forte; é sua a vitória e sua salvação é oferecida a todos os homens”. 

Recordou, ainda, o Papa Francisco, que no caminho e nas provações da vida “não estamos sozinhos, mas somos acompanhados e amparados pelos Anjos de Deus, que oferecem as suas asas para nos ajudar a superar tantos perigos, para sermos capazes de voar alto em relação às realidades que possam tornar pesada a nossa vida e nos arrastar para baixo”.

“Sabemos” escreve o evangelista São João “que todo aquele que nasceu de Deus não peca: Guarda-o Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo está sob o julgo do Maligno. Também sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para que conheçamos o Verdadeiro; e nós estamos no Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo 5, 18-20)

E, ainda, assim, há católicos em dúvidas com relação a esses seres angelicais do que nos falam as escrituras e a tradição da Igreja!

Que Maria Santíssima, nossa Mãe e, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, interceda por nós para saibamos ouvir os mensageiros de Deus, guardiões da nossa fé, esperança, caridade, e do nosso trabalho pela causa de Deus e do nosso caminho rumo ao céu. 

 

Por Alecsandro Araujo de Souza

Fonte: Catecismos da Igreja Católica e Radio Vaticana (05.07.2013)

 


 

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