No fim do ano civil encontra-se o começo do ano litúrgico. Estranho, diriam uns. Profético, diriam outros.
Em Cristo tudo se (re)une! Seremos postos à prova: é-nos concedido este tempo para acolher o Senhor que vem, mas também para verificar o nosso desejo de ir ao encontro de Dele. Tempo de olhar para a frente e nos prepararmos para o fim da nossa trajetória terrestre quando Cristo regressará.
O Filho de Deus voltará a nós na festa deste Natal quando fizermos memória de sua vinda histórica, mas Ele vem dentro de nós todas as vezes em que estamos dispostos a recebê-Lo e virá finalmente no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos como nos ensina a Igreja em Mateus 25: “tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.” Na noite da vida seremos julgados no Amor!
A história da nossa salvação é a história da iniciativa de Deus, memória de suas vindas ao homem, que reunidas formam o grande Advento que se estende desde a criação até a parusia (cf Cantalamessa). Deus não se cansa de vir sempre ao nosso encontro e usa todos os recursos para nos salvar. Hoje, Ele pede a cada um de nós uma decisão pessoal no que se refere a Ele! Deus não impõe; Ele propõe e nos oferece todas as condições para aceitarmos a salvação. Ele continua dizendo: não fecheis os corações como em Meriba. Ou como São Paulo nos recomenda em Efésios 5,14 “acordai do sono; desperta tu que dormes”, um modo sugestivo e diferente de dizer convertei-vos!
Em sua sabedoria, a Igreja, como mãe e mestra, nos convida a vivermos as quatro semanas do Advento reorientando nossas vidas para a vinda do Senhor. O Papa Bento XVI ensina que em tempos de muita graça e crescimento espiritual o demônio costuma atacar mais abertamente. Devemos então usar as armas espirituais para resistirmos e nos mantermos inabaláveis cf Ef 6, 10+.
Nesse fim/começo de ano vamos pedir a graça de desejarmos sair da nossa zona de conforto, da nossa mornidão espiritual, fazer um exame de consciência mais apurado, buscar um sacerdote para uma boa confissão e orientação, e, tomar a firme decisão de mudança de vida, pois “se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis” (Rm 8,13).
“Quando o Filho do Homem vier, será que ainda encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8).
Nós cristãos não temos o direito de desistir, pois Deus está conosco e pede a perseverança para que a fé reacenda nos corações a esperança e a caridade. (Dom Adair José)
Vamos pedir o auxílio de Maria, refúgio dos pecadores e consolo dos aflitos, que nos ajude nessa caminhada.

