O Escapulário do Carmo e o Terço são certamente as duas práticas de piedade mais comuns entre tantas relacionadas a Nossa Senhora. Pelas conturbadas ruas de São Paulo, é comum notar que a grande maioria dos carros portam no retrovisor interno um terço. Pessoas o usam no pescoço ou o colocam nas alças das malas. Entretanto, mais do que um símbolo de proteção mariana, o terço, antes de tudo, é uma oração antiquíssima, que nos ajuda a amar mais a Deus e a Sua Mãe.
O Escapulário, da mesma forma, pode ser visto no pescoço de muitas pessoas. Alguns o usam como mero adorno, outros entendem mal seu sentido. Como o Terço, o Escapulário não é simplesmente um meio de se obter proteção divina. Seu sentido é profundo e se radica na história centenária de uma das mais antigas ordens da Igreja: a Ordem do Carmo.
Essa ordem teve origem no famoso Monte Carmelo, situado entre a Galiléia e a Samaria, a aproximadamente 10 quilômetros de Nazaré. O seu ponto mais alto chega a ficar 150 metros acima do nível do mar. Sua beleza é tamanha, que nas Sagradas Escrituras, é usado, muitas vezes, como sinônimo de majestade, fecundidade e beleza (Is 10,18; Jr 46,18).
Na solidão deste monte, o povo de Israel recebeu um sinal, que é interpretado como uma prefiguração de Nossa Senhora. A terra habitada pelos judeus estava numa terrível seca de três anos, durante os quais, sequer uma gota caíra do céu. Alastrou-se a fome; muitos, desacreditados do Deus de Israel, começaram a adorar um deus pagão, Baal.
Elias, então, se retira em oração no Monte Carmelo, com um servo seu. Em seguida, o profeta pede a este que suba um pouco mais para olhar na direção do mar. O servo fez isso sete vezes e, apenas na última, avistou uma pequenina nuvem, do “tamanho da palma da mão” (I Rs 18, 44). Essa nuvem anunciou a grande chuva. Em pouco tempo, o céu enegreceu-se e a chuva caiu torrencialmente.
A nuvem, pequenina, é aquela que anuncia e vem à frente da chuva. É fonte de esperança para aqueles que há anos não recebiam do céu sequer uma gota de água. Maria, por sua vez, também pequena e humilde, vem à frente de Jesus, o próprio Deus. É a fonte de esperança para a humanidade sedenta pela graça, pois apenas uma gota desta é capaz de aliviar a sede humana por Deus. A chuva, muito maior que a primeira nuvem, representa a abundância de graças trazidas por Jesus. Mas tudo começou com aquela nuvenzinha pequena, humilde, escondida: Maria.
O mistério que envolve esse Monte não se esgota nessa passagem bíblica. Muitos penitentes e ermitões passaram a viver nele, mesmo antes da vinda de Cristo. Diz-se que lá esperavam pelo Messias e por sua Mãe, como Elias havia esperado por aquela nuvenzinha. Por isso, muitos dizem que a Ordem do Carmo precede o próprio cristianismo, pois no Carmelo já havia pessoas que, de algum modo, veneravam a Mãe de Deus.
Logo no começo do cristianismo, muitos cristãos se refugiavam nesse Monte fugindo das perseguições dos judeus. Alguns dizem que esses cristãos eram os judeus preparados por São João Batista para a vinda de Cristo. Entretanto, oficialmente e formalmente, a ordem do Carmo teve origem no século XI com um cruzado que virou monge no Monte Carmelo: São Bertoldo de Limoges.
A Ordem foi crescendo até os muçulmanos invadirem a região e perseguirem os religiosos que viviam no Monte Carmelo no século XIII. Os monges tiveram de dispersar-se pela Europa, principalmente pela Itália, França e Grã-Bretanha. Foi um momento duro para a Ordem e, nesse momento, Nossa Senhora, como aquela nuvenzinha, aparece para demonstrar todo o seu amor por esses monges expulsos de sua terra natal.
Um estudante de Oxford, Simão Stock, havia se tornado sacerdote. Após terminar seus estudos, voltou a viver a vida solitária que sempre sonhara ter, de completa dedicação à vida de oração. Nisso, descobriu a vinda daqueles carmelitas fugidos do Monte Carmelo para a Inglaterra. Apaixonou-se pela ordem e pediu para entrar nela. A virtude desse monge era tamanha que não podia ficar oculta. Em 1245, aproximadamente 30 anos depois de entrar na ordem, São Simão Stock tornou-se o superior da ordem carmelita.
Preocupado com a ruína da ordem, São Simão reza ardentemente pedindo a proteção de Nossa Senhora aos carmelitas. As suas preces atingem o coração de Deus, e eis que aparece ao santo a Virgem carregando um escapulário, aparição que recebeu o nome de Nossa Senhora do Carmo.
Eis como o Santo descreveu essa aparição:
“Quando eu lhe (a Maria) dizia, com ternos suspiros: ‘Flor do Carmelo, Virgem depois do Parto, ó Mãe admirável e Sempre Virgem, dá aos carmelitas privilégios de proteção, ó Estrela do Mar’, me apareceu a Soberana Senhora escoltada de inumeráveis anjos e, tendo nas mãos o santo escapulário, me disse: [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
‘Recebe, filho meu muito amado, o escapulário de tua Ordem e sinal de minha confraria, privilégio para ti e todos os carmelitas, e o que morrer com ele não padecerá o fogo do eterno. Ele é um sinal de salvação nos perigos, símbolo e penhor de paz e de aliança sempiterna’”.
O Escapulário é uma veste posta sobre as escápulas (ombros) e que cobre a frente e as costas de quem o usa. Diversas ordens religiosas usam o escapulário, de diversas cores. O Escapulário usado pelo Ordem do Carmo é de cor marrom.
Aos poucos, os Papas foram concedendo aos fiéis leigos o privilégio de usar o escapulário carmelita e de receber dele a promessa principal de Nossa Senhora: a salvação. O Escapulário usado pelos religiosos carmelitas cobre o corpo todo; o dos leigos pode ser apenas duas pequenas tiras de pano ligadas por um cordão. O Papa Pio X permitiu que os leigos usassem uma medalha de metal em substituição do pano, que deve ser abençoado.
O leigo, quando usa o escapulário do Carmo, se associa de algum modo à ordem carmelita e carrega consigo um sinal de amor e de pertença a Maria. Ele não é apenas um sinal de proteção, mas deve demonstrar a nossa vontade de conversão constante.
Muitos Papas usaram o escapulário e o recomendaram efusivamente. No dia 16 de julho, a Igreja comemora o dia de Nossa Senhora do Carmo. Por que não receber a imposição do escapulário nesse dia? Basta pedir a um sacerdote.
Por Gustavo Catania Ramos
Para se receber as graças do Escapulário, é necessária a imposição por um Sacerdote.
O Escapulário deve nos levar a viver uma vida cristã. Se usado apenas como uma forma de superstição, ele não terá a eficácia prometida por Nossa Senhora.
O Escapulário de pano não precisa se abençoado, apenas na imposição. Se ele rasgar depois, pode ser trocado sem a necessidade de benção do Sacerdote.
Quais são as graças associados ao Escapulário?
Nossa Senhora prometeu que quem o usasse devotamente, perseveraria até o fim da vida no amor de Deus, não iria para o inferno e obteria, portanto, a salvação.
Como usar o Escapulário?
Ele deve ser usado dia e noite, a não ser que se torne dificultoso o seu uso, como para banhar-se ou fazer um exame médico. A Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. Essa medalha deve ser sempre abençoada quando trocada, ao contrário do Escapulário de pano.
Que ao usar o escapulário, enfim, você não só se sinta protegido pela Virgem Maria, mas, sobretudo, cresça na imitação de suas virtudes.

