Uma catequese para quem deseja conhecer mais a fundo as razões de sua fé
O mês de agosto marca em nossa Paróquia o início de um novo ciclo para a pastoral da Iniciação Cristã de Adultos: por um lado serão crismados, em cerimônia solene do dia 10, na Catedral da Sé, mais de 200 catecúmenos que no primeiro semestre receberam a catequese para esse sacramento, e por outro lado terão início as turmas do segundo semestre, sendo esperados, com base na situação atual de inscritos, mais de 300 novos crismados no final do ano. São números que causam esperança e admiração – e também o interesse em saber mais sobre esta pastoral que tem ajudado tantos homens e mulheres a se aproximarem mais de Cristo.
Quem pode se inscrever
O nome dessa catequese vem do fato de que o Batismo, a Eucaristia e o Crisma são conjuntamente chamados “Sacramentos da Iniciação Cristã” – ou seja, destinados a serem recebidos por todo cristão que atingiu a maturidade de sua fé.
O primeiro grande público-alvo desta catequese são, por isso, aqueles adultos (a partir de 18 anos) que ainda não receberam algum desses sacramentos: seja porque não completaram essas etapas durante sua infância e adolescência na Igreja, ou ainda porque não foram criados católicos, e estão agora se aproximando da Igreja. No entanto, a catequese é igualmente aberta para ouvintes, que já receberam esses sacramentos anteriormente, ou que simplesmente desejam conhecer mais a doutrina da Igreja de Cristo.
Uma catequese pensada para o perfil dos alunos
Quando a Iniciação Cristã de Adultos foi criada em nossa Paróquia, há mais de 15 anos, ela buscou atender uma necessidade específica: muitos dos casais que aguardavam a data de seu matrimônio não haviam ainda recebido o Crisma e/ou a Primeira Comunhão, e tinham lacunas no conhecimento dos fundamentos da fé. Além disso, e embora muitos deles manifestassem interesse em receber esse tipo de formação, era difícil conciliar as catequeses tradicionais (que duram um ou dois anos, com aulas em horário único) com os compromissos familiares, profissionais e sociais de adultos nessa etapa da vida. Como então fazer dos limões limonada?
A solução adotada foi dupla: primeiro, condensar o conteúdo essencial da catequese num programa bem definido, que possa ser percorrido ao longo de um único semestre; depois, capacitar uma ampla equipe de catequistas, de modo a criar turmas paralelas em quase todos os dias da semana.
E assim o curso é estruturado até hoje: de modo que cada aluno se inscreve em uma das sete opções de horário, mas tem a flexibilidade para, sempre que precisar, assistir a aula em outra turma, pois o tema abordado será o mesmo. A equipe de catequistas, por sua vez – que recebe dos sacerdotes, a cada ano, um curso intensivo de aprofundamento em temas específicos –, é formada por leigos e leigas dos mais diversos horizontes: de professores universitários a publicitários, e de profissionais de TI a médicos cardiologistas, de solteiros e recém-casados a pais e mães de família numerosas, com vários netos…
A proposta deu tão certo que, aos poucos, o curso foi sendo indicado boca a boca para amigos e familiares, e ao longo dos anos a maioria dos alunos acabou sendo composta por outros perfis, que não o de noivos à espera do matrimônio. Para dar um exemplo, no semestre passado, uma das turmas tinha 56 alunos inscritos, dos quais apenas 12 eram casais preparando-se para o matrimônio.
Transmitindo o ensinamento oficial da Igreja Católica
Muito embora o propósito último de qualquer boa catequese não seja o mero transmitir intelectualmente um conjunto de proposições e ideias, mas sim o propiciar aquele “encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”¹, isso não retira o valor e a importância fundamental de ensinar a doutrina, isto é, o conjunto de ensinamentos oficiais da Igreja Católica, confiados por Cristo aos Apóstolos e transmitidos incorruptos de geração em geração até nossos dias.
De fato, os chamados “dogmas” não são camisas-de-força que algum papa ou teólogo teria fabricado na Idade Média para cercear nossa liberdade, mas simplesmente verdades sobre Deus e o homem, sobre o caminho para a real felicidade e o sentido último de nossa vida – verdades essas que, por serem tão cruciais para bem orientarmos nossa existência, Deus escolheu nos ensinar de forma definitiva, como as estrelas que, ao formarem seus padrões fixos no céu noturno, orientam a bom porto os que singram o alto-mar no breu noturno. Os dogmas “não são muralhas que nos impedem a visão, mas ao contrário, janelas abertas que dão para o infinito”². Todo bom cristão, que deseja crescer na intimidade com Deus e no amor ao próximo, precisa conhecer a doutrina e meditá-la em sua oração, pois “existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro”³.
Por isso é que nossa catequese dá grande importância a comunicar, de forma coerente e profunda, o conteúdo essencial do Catecismo da Igreja Católica. Para isso, foi elaborada uma Apostila autoral, que ao longo de 17 aulas divididas em três módulos segue de perto a tradição catequética da Igreja: primeiro, uma parte dedicada à nossa Profissão de Fé (Creio); depois, uma parte dedicada ao convite a levarmos uma vida cristã (Mandamentos); por fim, uma parte dedicada aos instrumentos que Cristo nos deixou para segui-lo nesse caminho (Sacramentos e Oração). Além disso, ao final do curso se faz também um encontro de tira-dúvidas com o sacerdote, onde os alunos podem interagir de forma espontânea com seus questionamentos mais específicos.
Por que fazer essa catequese?
Se o conhecimento da própria fé é importante aos cristãos de todas as épocas, ele é particularmente importante no mundo de hoje, em que a tradicional influência cristã nas instituições da sociedade e da cultura vai progressivamente se desfazendo. Faz ainda sentido ser cristão, depois de Darwin e do Big Bang? Entender e aceitar a moral cristã, depois das teorias críticas de Nietzsche a Foucault, pode ainda ser considerada uma atitude à altura dos homens e mulheres do século XXI?
Mas além dessa utilidade ad extra, direcionada a responder os críticos da Igreja ou a ajudar os que desejam se aproximar dela, uma boa catequese também tem um propósito ad intra, para a vivência ordinária da fé, pelos fiéis. Conhecendo a fundo a doutrina, podemos participar com mais fruto da Santa Missa, nos tornamos capazes de confessar melhor, sabendo o que deve-se ou não confessar e de que modo fazê-lo, e formamos melhor a consciência para discernir o que Cristo nos pede em cada situação concreta.
Estejamos, então, sempre prontos a responder para nossa defesa, com suavidade e respeito, a todo aquele que nos pedir a razão de nossa esperança! (cf. 1Pe 3, 15).
Gil Pierre de Toledo Herck
Referências:
¹ Bento XVI, Encíclica Deus Caritas est “sobre o amor cristão”, n. 1.
² Joseph Ratzinger, The Ratzinger Report.
³ Catecismo da Igreja Católica, n. 54.
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