Maria conservava tudo em seu coração

A Santa Igreja mais uma vez nos recorda o Imaculado Coração de Maria, através de Sua Liturgia. E é com grande alegria que podemos meditar os mistérios da entrega e da pureza de Nossa Mãe Santíssima. Antes que pudesse receber a Anunciação do Arcanjo Gabriel, Maria refletia consigo mesma em tudo quanto tinha conhecido, através do que lia, escutava e via; assim, progredia de modo admirável na fé, na sabedoria e em méritos, e sua alma se inflamava cada vez mais com o fogo da caridade!” Afinal de contas, não se pode amar aquilo que não se conhece, por isso ela se aprofundava no conhecimento dos mistérios celestes, enchendo-se de alegria e preparando-se para se tornar fecunda do Espírito Santo. Assim, Nossa Senhora atraía-se para Deus e se confirmava na sua humildade. Tais são os efeitos da graça divina: eleva do mais humilde ao mais excelso e vai transformando a alma de claridade em claridade.

Feliz o coração da Virgem Maria que, pela luz do Espírito que nela habitava, sempre e em tudo obedecia à vontade do Verbo de Deus. Não se deixava guiar pelo seus próprios sentimentos ou inclinações, mas realizava, na sua atitude exterior, as insinuações internas da sabedoria inspiradas na fé. De fato, convinha que a Sabedoria de Deus, ao edificar a Igreja para ser o templo de sua morada, apresentasse Maria Santíssima como modelo de cumprimento da lei, de purificação da alma, de verdadeira humildade e de sacrifício espiritual. Podemos ver isso no momento da Apresentação do Menino Jesus no Templo, porque tal ação exigia que a mãe fosse purificada e, mesmo sem precisar de tal purificação por ter sido concebida sem pecado, Maria cumpriu os preceitos da Lei de Deus, recebidas pelas mãos de Moisés, por amor ao Todo-Poderoso e por sua humildade.

Imita-a tu, ó alma fiel! Se queres purificar-te espiritualmente e conseguir tirar as manchas do pecado, entra no templo do teu coração. Aí Deus olha mais para a intenção do que para a exterioridade de tudo quanto fazemos. Por isso, quer elevemos nosso espírito à contemplação, a fim de repousarmos em Deus, quer nos exercitemos na prática das virtudes para sermos úteis ao próximo com as nossas boas obras, façamos uma ou outra coisa de maneira que só a caridade de Cristo nos impulsione. É este o sacrifício perfeito da purificação espiritual, que não se oferece em templo feito por mão humana, mas no templo do coração onde Cristo Senhor entra com alegria.

Texto extraído e adaptado dos Sermões de São Lourenço Justiniano (Segunda Leitura do Ofício das Leituras na Memória do Imaculado Coração de Maria). 

Adaptado por: Henrique Pinho Chiozzotto


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